Estava eu no serviço de acolhimento, com a minha coordenadora nova e a nova assistente social companheira de trabalho. Recebemos um senhor bastante musculoso (uma de nossas muitas chefias, mas que no dia eu ainda não sabia). E estávamos discutindo algum caso. Não lembro de quem, mas certo momento a coordenadora diz:
- Respeito qualquer opção sexual.
- Não é opção, é orientação - respondo prontamente.
- É - explica a assistente social - ninguém escolhe ser gay, nasce.
A coordenadora fica em silêncio por alguns segundos, depois fala:
- Ah, sim, entendi.
Eis que, repentinanente, o senhor musculoso diz:
- Não concordo com orientação, tem gente que escolhe, tem gente que é "opção sexual".
Todos ficam quietos, perplexos que ele tem uma opinião, aparentemente, formada sobre o assunto, e aguardam sua explicação.
- É uma questão de hormônio - continua - a pessoa tem um hormônio que a faz gostar de homem ou mulher.
- Ok - respondo - de qualquer forma, ninguém escolhe hormônio, então continua sendo uma orientação...
- Ah - diz em tom de voz alto, aparentando ter certeza de seu argumento - mas tem gente que escolhe os hormônios, porque tem certas pessoas que utilizam hormônios para ficar bombado, sabe, musculoso? E quando usa esses hormônios acaba optando por gostar de outro sexo.
- Ah, sim... - respondi, observando que meu novo chefe, recém apresentado, era demasiadamente musculoso e aparentava ter utilizado de hormônios para alcançar tal condição física...
Nesses dias a gente aprende que deve andar com o cartãozinho de psicóloga na carteira, vai que esse era um pedido de terapia? hahaha
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quinta-feira, 11 de maio de 2017
terça-feira, 28 de junho de 2016
David e o pacote de bolachas
Já falei mil vezes que trabalho em serviço de acolhimento, que são os atigos abrigos, e os casos de lá geralmente são bastante complicados, com vínculo familiar rompido, história de abuso ou de negligência. Vim pra área social preparada pra isso, mas vou ser sincera, tem alguns casos que eu me apego mais que os outros. E hoje eu ganhei um pacote de bolachas! (Já vai fazer sentido)
Bom, foi assim, ano passado, do meio do ano pro final, tivemos diversos problemas operacionais e financeiros e a prefeitura cortou vários serviços (que nem poderia cortar, mas aí já é outra história), e um deles foi a abordagem social.
Abordagem social é aquele serviço itinerante de pessoas que trabalham com os moradores de rua, e um dos primeiros casos que discutimos foi o de David (obviamente, como sempre, nome fictício). Quando uma amiga me falou sobre o caso dele, eu sequer sabia que a cidade tinha contratado um novo serviço de abordagem social... E essa amiga me falou sobre o caso do David, que era alcoolista, que passava mal na rua de tanto beber e queria ajuda para sair dessa vida.
Não entrando em muitos detalhes, como se tratou do primeiro caso e as tratativas ainda estavam meio bagunçadas, o caso não teve os encaminhamentos da maneira correta, de qualquer forma, David pareceu uma pessoa educada e amável, no pouco que conseguimos conversar, ele tinha contado que estava na cidade há algum tempo e que estava lutando contra o vício do álcool; tínhamos combinado que ele poderia sair pra beber um pouco caso a abstinência fosse muita, mas que não poderia chegar alcoolizado, pois os funcionários do serviço eram muito rígidos. E que nesse meio tempo, iriamos providenciar sua certidão de nascimento e RG para iniciar o tratamento.
Por alguma falta de comunicação, os funcionários do equipamento entenderam que David não tinha liberdade pra sair da casa, o que, pra ser sincera, me irritou bastante posteriomente, pois a priori, todos podem sair da casa, são excessões as vítimas de violência domêstica antes de conseguir medida protetiva e os que estão em algum tratamento que exija monitoramento por causa de medicação forte. Nenhum desses era o caso de David, portanto poderia sair. Contudo, negaram sua saída, e ele, na forte abstinência pulou o muro e fugiu da casa...
Eu e a equipe ficamos bastante chateadas, pois tinhamos conseguido sua certidão e agendado dia para conseguir a segunda via de seu RG para darmos o encaminhamento para o tratamento que ele tanto queria. Por alguns dias ficamos sem notícias dele, até que ficamos sabendo que ele estava internado no hospital da cidade, com o braço quebrado pois havia caído de uma árvore!
Fizemos as tratativas necessárias e, quando teve alta, voltou para nós. Assim que retornou, atendemos David e fizemos um novo plano de atendimento, de maneira séria dissemos que ele tinha que ter paciência e quando precisasse e quisesse sair, podia nos ligar, e não precisava pular o muro.
David, por sua vez, nos contou sua história de vida, contou que foi órfão, criado em abrigos desde pequeno, depois conseguiu morar numa pensão, trabalhar e morar com uma companheira e teve um filho, que perdeu o contato. Era andarilho e acabou gostando de morar nas ruas de São Vicente. Ainda estava com o braço engessado e não tinha movimento nas mãos, então teve que aprender a ter paciência, esperar o braço melhorar minimamente para dar continuidade ao seu plano de atendimento.
Assim que recuperou minimamente os movimentos da mão, agendamos segunda via de seu RG. Enquanto isso, não saia da casa. O processo demorou por volta de um mês, um mês e meio. Nas últimas duas semanas, David pediu pra sair, disse que precisava sair da casa e prometeu que não iria beber. Porém teve uma recaída. Pediu desculpas e ficou na casa por mais ou menos uma semana sem sair, até que novameeeente, diz que precisa sair e promete novameeeente que não vai beber. Adivinha? Bebeu. Chegou alcoolizado na casa, com forte cheiro de álcool. Como ainda não deu início ao tratamento, perdoamos.
Então na sexta-feira, David vem falar comigo:
- Assistente, sabe se meu RG está pronto?
- David, não sou assistente social, sou psicóloga! - e sorrio, ele sempre confunde - Mas sim, está pronto, é que estamos sem vale transporte para ir buscar.
- Mas eu posso ir buscar, peço carona no ônibus.
- Hum, acho melhor ir acompanhado. Vou entrar em contato com o Centro Pop e ver o que consigo.
David concordou e saiu da sala. Falei com os técnicos do centro pop que disseram que não havia vale transporte, mas que um motorista iria a Santos fazer um serviço e poderia levá-lo. Contei do receio de recaídas, e a coordenadora me garantiu que o carro esperaria ele do lado de fora do poupatempo e eles retornariam juntos. Sendo assim, chamei David e contei da notícia.
- Obrigada Lorrana.. Lorrena... ai não sei falar seu nome.
- É Lorraine, mas não tem problema! Fique pronto que por volta das 14hs um carro virá buscá-lo.
- Obrigada mesmo! Estou muito feliz! - Respondeu David, e foi se arrumar pra sair.
Tudo certo. David pegou seu RG novinho.
Então ontem, assim que chego no equipamento, David está parado na porta e pergunta se pode falar comigo. Abro a sala e faço que ele pode entrar.
- Lorrane, eu queria ir no banco ver se tenho PIS...
- Tudo bem, vou ver se tem alguém pra te acompanhar.
- Ah, mas eu posso ir sozinho, não quero dar trabalho.
- Não é trabalho nenhum, peço pra alguém ir com você. - respondo.
- Ah, deixa pra lá, acho que meu braço está doendo ainda... Vou outro dia.
- Tudo bem.
E saiu da sala. Percebi que ele ficou chateado quando disse que pediria pra alguém acompanhá-lo; Segui meu dia normalmente.
Então hoje, quando cheguei, novamente David me espera perto da porta da minha sala, e diz que quer conversar. Da mesma forma que fiz ontem, abri a sala, coloquei minha bolsa em uma mesa, puxei duas cadeiras.
- Então Lorrane, posso ir hoje no banco?
- Claro, vou ver se tem alguém pra ir com você - levantei, fui até a porta e perguntei se tinha funcionário disponível. Tinha uma. Me voltei pra ele e perguntei se estava tudo bem.
- Tá sim Lorrane. Eu dei mancada, agora tem que ir acompanhado, tudo bem. - E concordou com a cabeça. Foi se arrumar, entreguei seus documentos e ele saiu acompanhado de um funcionário.
Algumas horas depois eles retornam e David entra na minha sala com um sorriso de orelha a orelha.
- Deu tudo certo! Não tinha PIS, mas tinha juros, tirei R$ 55,00 reais! - E levantou as mãos e foi tirando coisas de uma sacolinha plástica. - Já fiz compras, tem aqui dois pacote de balas e um pacote de bolachas e o troco eu guardei. - Então separa um pacote de balas pra ele e coloca o outro na minha direção com o pacote de bolachas.
- É pra eu guardar aqui? Quando você quiser pode pedir que eu pego pra você comer.
- Não, Lorrane, é pra você, comprei pra você, pra agradecer pela ajuda! - respondeu com um sorriso ainda maior que o anterior, se é que era possível.
- Obrigada! Já vou pegar uma bala aqui pra mim então.
E David saiu da sala sorrindo e distribuindo balas para os demais acolhidos da casa.
Ainda não comi o pacote de bolachas, mas voltei pra casa com o mesmo sorriso que ele. ;)
Tem muita gente nessa área que diz que não é certo aceitar presentes dos atendidos. Eu concordo que não temos que aceitar presentes caros e que não devemos nos aproveitar da ingenuidade deles, mas tem algumas coisas que não podemos negar: Eles criam vínculos conosco, e negar presente vindo do coração deles pra mim é desfeita. A cara de satifação dele por me dar alguma coisa era impagável, e eu seria incapaz de negar isso.
Bom, foi assim, ano passado, do meio do ano pro final, tivemos diversos problemas operacionais e financeiros e a prefeitura cortou vários serviços (que nem poderia cortar, mas aí já é outra história), e um deles foi a abordagem social.
Abordagem social é aquele serviço itinerante de pessoas que trabalham com os moradores de rua, e um dos primeiros casos que discutimos foi o de David (obviamente, como sempre, nome fictício). Quando uma amiga me falou sobre o caso dele, eu sequer sabia que a cidade tinha contratado um novo serviço de abordagem social... E essa amiga me falou sobre o caso do David, que era alcoolista, que passava mal na rua de tanto beber e queria ajuda para sair dessa vida.
Não entrando em muitos detalhes, como se tratou do primeiro caso e as tratativas ainda estavam meio bagunçadas, o caso não teve os encaminhamentos da maneira correta, de qualquer forma, David pareceu uma pessoa educada e amável, no pouco que conseguimos conversar, ele tinha contado que estava na cidade há algum tempo e que estava lutando contra o vício do álcool; tínhamos combinado que ele poderia sair pra beber um pouco caso a abstinência fosse muita, mas que não poderia chegar alcoolizado, pois os funcionários do serviço eram muito rígidos. E que nesse meio tempo, iriamos providenciar sua certidão de nascimento e RG para iniciar o tratamento.
Por alguma falta de comunicação, os funcionários do equipamento entenderam que David não tinha liberdade pra sair da casa, o que, pra ser sincera, me irritou bastante posteriomente, pois a priori, todos podem sair da casa, são excessões as vítimas de violência domêstica antes de conseguir medida protetiva e os que estão em algum tratamento que exija monitoramento por causa de medicação forte. Nenhum desses era o caso de David, portanto poderia sair. Contudo, negaram sua saída, e ele, na forte abstinência pulou o muro e fugiu da casa...
Eu e a equipe ficamos bastante chateadas, pois tinhamos conseguido sua certidão e agendado dia para conseguir a segunda via de seu RG para darmos o encaminhamento para o tratamento que ele tanto queria. Por alguns dias ficamos sem notícias dele, até que ficamos sabendo que ele estava internado no hospital da cidade, com o braço quebrado pois havia caído de uma árvore!
Fizemos as tratativas necessárias e, quando teve alta, voltou para nós. Assim que retornou, atendemos David e fizemos um novo plano de atendimento, de maneira séria dissemos que ele tinha que ter paciência e quando precisasse e quisesse sair, podia nos ligar, e não precisava pular o muro.
David, por sua vez, nos contou sua história de vida, contou que foi órfão, criado em abrigos desde pequeno, depois conseguiu morar numa pensão, trabalhar e morar com uma companheira e teve um filho, que perdeu o contato. Era andarilho e acabou gostando de morar nas ruas de São Vicente. Ainda estava com o braço engessado e não tinha movimento nas mãos, então teve que aprender a ter paciência, esperar o braço melhorar minimamente para dar continuidade ao seu plano de atendimento.
Assim que recuperou minimamente os movimentos da mão, agendamos segunda via de seu RG. Enquanto isso, não saia da casa. O processo demorou por volta de um mês, um mês e meio. Nas últimas duas semanas, David pediu pra sair, disse que precisava sair da casa e prometeu que não iria beber. Porém teve uma recaída. Pediu desculpas e ficou na casa por mais ou menos uma semana sem sair, até que novameeeente, diz que precisa sair e promete novameeeente que não vai beber. Adivinha? Bebeu. Chegou alcoolizado na casa, com forte cheiro de álcool. Como ainda não deu início ao tratamento, perdoamos.
Então na sexta-feira, David vem falar comigo:
- Assistente, sabe se meu RG está pronto?
- David, não sou assistente social, sou psicóloga! - e sorrio, ele sempre confunde - Mas sim, está pronto, é que estamos sem vale transporte para ir buscar.
- Mas eu posso ir buscar, peço carona no ônibus.
- Hum, acho melhor ir acompanhado. Vou entrar em contato com o Centro Pop e ver o que consigo.
David concordou e saiu da sala. Falei com os técnicos do centro pop que disseram que não havia vale transporte, mas que um motorista iria a Santos fazer um serviço e poderia levá-lo. Contei do receio de recaídas, e a coordenadora me garantiu que o carro esperaria ele do lado de fora do poupatempo e eles retornariam juntos. Sendo assim, chamei David e contei da notícia.
- Obrigada Lorrana.. Lorrena... ai não sei falar seu nome.
- É Lorraine, mas não tem problema! Fique pronto que por volta das 14hs um carro virá buscá-lo.
- Obrigada mesmo! Estou muito feliz! - Respondeu David, e foi se arrumar pra sair.
Tudo certo. David pegou seu RG novinho.
Então ontem, assim que chego no equipamento, David está parado na porta e pergunta se pode falar comigo. Abro a sala e faço que ele pode entrar.
- Lorrane, eu queria ir no banco ver se tenho PIS...
- Tudo bem, vou ver se tem alguém pra te acompanhar.
- Ah, mas eu posso ir sozinho, não quero dar trabalho.
- Não é trabalho nenhum, peço pra alguém ir com você. - respondo.
- Ah, deixa pra lá, acho que meu braço está doendo ainda... Vou outro dia.
- Tudo bem.
E saiu da sala. Percebi que ele ficou chateado quando disse que pediria pra alguém acompanhá-lo; Segui meu dia normalmente.
Então hoje, quando cheguei, novamente David me espera perto da porta da minha sala, e diz que quer conversar. Da mesma forma que fiz ontem, abri a sala, coloquei minha bolsa em uma mesa, puxei duas cadeiras.
- Então Lorrane, posso ir hoje no banco?
- Claro, vou ver se tem alguém pra ir com você - levantei, fui até a porta e perguntei se tinha funcionário disponível. Tinha uma. Me voltei pra ele e perguntei se estava tudo bem.
- Tá sim Lorrane. Eu dei mancada, agora tem que ir acompanhado, tudo bem. - E concordou com a cabeça. Foi se arrumar, entreguei seus documentos e ele saiu acompanhado de um funcionário.
Algumas horas depois eles retornam e David entra na minha sala com um sorriso de orelha a orelha.
- Deu tudo certo! Não tinha PIS, mas tinha juros, tirei R$ 55,00 reais! - E levantou as mãos e foi tirando coisas de uma sacolinha plástica. - Já fiz compras, tem aqui dois pacote de balas e um pacote de bolachas e o troco eu guardei. - Então separa um pacote de balas pra ele e coloca o outro na minha direção com o pacote de bolachas.
- É pra eu guardar aqui? Quando você quiser pode pedir que eu pego pra você comer.
- Não, Lorrane, é pra você, comprei pra você, pra agradecer pela ajuda! - respondeu com um sorriso ainda maior que o anterior, se é que era possível.
- Obrigada! Já vou pegar uma bala aqui pra mim então.
E David saiu da sala sorrindo e distribuindo balas para os demais acolhidos da casa.
Ainda não comi o pacote de bolachas, mas voltei pra casa com o mesmo sorriso que ele. ;)
Tem muita gente nessa área que diz que não é certo aceitar presentes dos atendidos. Eu concordo que não temos que aceitar presentes caros e que não devemos nos aproveitar da ingenuidade deles, mas tem algumas coisas que não podemos negar: Eles criam vínculos conosco, e negar presente vindo do coração deles pra mim é desfeita. A cara de satifação dele por me dar alguma coisa era impagável, e eu seria incapaz de negar isso.
domingo, 26 de junho de 2016
Coisas que eu queria que você soubesse (psicologia)
Gostei bastante de escrever aquele post sobre "coisas que eu queria que você soubesse" sobre ser vegetariana e resolvi escrever mais um, agora sobre ser psicóloga; pra quem tem amigo psicólogo, pra quem é psicólogo ou pra quem quer ser psicólogo hahaha.
Eu não estou te analisando o tempo inteiro, alias, nem eu nem nenhum psicólogo, porque sério, cansa. Às vezes a gente desliga...
Não, eu não posso atender seu amigo a preço de banana só porque é seu amigo. Não faço trabalho doméstico, sou profissional. Uma coisa é uma pessoa que precisa e a gente combinar um preço até que a situação mude, depois cobrar o preço normal, outra é abusar da amizade.
Eu não sou obrigada a gostar de todo mundo ou de ser a pessoa mais paciente do mundo; uma coisa é entender o comportamento do ser humano, outra coisa é gostar de todo e qualquer comportamento.
Não é obrigação a gente escolher uma linha e seguir pra vida toda. Você pode começar a faculdade gostando de psicanálise e terminar gostando de cognitivo comportamental, alias, você pode não seguir uma linha específica e se adaptar a cada pessoa, ninguém é um computador preso a um software gente. Todo mundo muda a visão de mundo, todo mundo evolui e é normal.
Sim, eu erro, e erro muito, já errei muito, já magoei muito, já fui muito magoada. Alias, eu me envolvo pelas histórias dos pacientes, crio vínculo e me importo com eles. A gente não é feito de gelo e não existe análise sem ponto de vista. A gente sempre analisa tudo a nossa volta baseado nas nossas vivências e aprendizagens! Nenhum ser humano foge disso, sendo psicólogo ou não.
Psicologia nada tem a ver com signos. Sei que pode parecer absurdo, mas tem gente que acha que tem a ver. Eu sei que signos falam de comportamento humano e psicologia também, maaas são duas coisas diferentes! Psicologia estuda o comportamento humano mas, não estuda astros e só vai perguntar a sua data de nascimento pra saber sua idade.
Ah, também alguns alertas, psicólgos não devem influenciar em escolhas políticas ou religiosas. E pra quem está se formando ou pensando em cursas psicologia: é difícil arranjar emprego. Eu sei que no geral, está difícil pra maioria das pessoas formadas ou não, quase impossível pra quem não tem amigo que indique. Mas uma dica: não existe só consultório e RH. Existem disversas áreas de atuação, e não há problema nenhum em não conseguir emprego na área de cara, só não pare de se informar, ler e estudar sobre o assunto!
E uma opinião minha é que: todos que tem a oportunidade deveriam experimentar fazer terapia, Autoconhecimento nunca é demais, não que eu ache que necessariamente todo mundo precise de terapia; maaaas é muito legal aprender coisas novas sobre você mesmo, principalmente do ponto de vista profissional, pois se você conhece seu modo de agir e de onde vieram alguns comportamentos, fica mais fácil controlar, entender e se tornar uma versão melhor de si mesmo. Porque, só pra deixar bem claro, falar com um psicólogo não é coisa de doido, é coisa de quem quer se conhecer e se entender melhor.
Ah, e só caso não tenha ficado claro, psicólogos tem problemas como todo mundo. ;)
Eu não estou te analisando o tempo inteiro, alias, nem eu nem nenhum psicólogo, porque sério, cansa. Às vezes a gente desliga...
Não, eu não posso atender seu amigo a preço de banana só porque é seu amigo. Não faço trabalho doméstico, sou profissional. Uma coisa é uma pessoa que precisa e a gente combinar um preço até que a situação mude, depois cobrar o preço normal, outra é abusar da amizade.
Eu não sou obrigada a gostar de todo mundo ou de ser a pessoa mais paciente do mundo; uma coisa é entender o comportamento do ser humano, outra coisa é gostar de todo e qualquer comportamento.
Não é obrigação a gente escolher uma linha e seguir pra vida toda. Você pode começar a faculdade gostando de psicanálise e terminar gostando de cognitivo comportamental, alias, você pode não seguir uma linha específica e se adaptar a cada pessoa, ninguém é um computador preso a um software gente. Todo mundo muda a visão de mundo, todo mundo evolui e é normal.
Sim, eu erro, e erro muito, já errei muito, já magoei muito, já fui muito magoada. Alias, eu me envolvo pelas histórias dos pacientes, crio vínculo e me importo com eles. A gente não é feito de gelo e não existe análise sem ponto de vista. A gente sempre analisa tudo a nossa volta baseado nas nossas vivências e aprendizagens! Nenhum ser humano foge disso, sendo psicólogo ou não.
Psicologia nada tem a ver com signos. Sei que pode parecer absurdo, mas tem gente que acha que tem a ver. Eu sei que signos falam de comportamento humano e psicologia também, maaas são duas coisas diferentes! Psicologia estuda o comportamento humano mas, não estuda astros e só vai perguntar a sua data de nascimento pra saber sua idade.
Ah, também alguns alertas, psicólgos não devem influenciar em escolhas políticas ou religiosas. E pra quem está se formando ou pensando em cursas psicologia: é difícil arranjar emprego. Eu sei que no geral, está difícil pra maioria das pessoas formadas ou não, quase impossível pra quem não tem amigo que indique. Mas uma dica: não existe só consultório e RH. Existem disversas áreas de atuação, e não há problema nenhum em não conseguir emprego na área de cara, só não pare de se informar, ler e estudar sobre o assunto!
E uma opinião minha é que: todos que tem a oportunidade deveriam experimentar fazer terapia, Autoconhecimento nunca é demais, não que eu ache que necessariamente todo mundo precise de terapia; maaaas é muito legal aprender coisas novas sobre você mesmo, principalmente do ponto de vista profissional, pois se você conhece seu modo de agir e de onde vieram alguns comportamentos, fica mais fácil controlar, entender e se tornar uma versão melhor de si mesmo. Porque, só pra deixar bem claro, falar com um psicólogo não é coisa de doido, é coisa de quem quer se conhecer e se entender melhor.
Ah, e só caso não tenha ficado claro, psicólogos tem problemas como todo mundo. ;)
sábado, 27 de fevereiro de 2016
Trabalhando na área social
Eu ia começar dizendo que eu não tenho o costume de reclamar no blog, mas quem eu quero enganar? Tenho sim o costume de reclamar no blog, e alias, na vida. haha
Como se já não bastasse os problemas intrínsecos do trabalho em serviço de acolhimento, por ser uma demanda de alta complexidade da assistência social, ultimamente a gente vem tendo que lidar com problemas operacionais que, além de travar o andamento do trabalho técnico, torna o dia a dia estressante.
Vamos ser mais concretos: serviço de acolhimento são os antigos abrigos, ou seja, é uma casa, e trabalho com pessoa que não tem mais pra onde ir, então moram por um tempo lá até de organizar para retomar a vida independente.
A sala da coordenação, onde atende eu, a assistente social e duas encarregadas, fica na parte da frente da casa, separada da parte de trás, onde ficam alguns quartos.
A casa é velha, bem velha. e dia 11/11/2015 a fiação simplesmente parou de funcionar na parte da frente da casa. Ou seja, ficamos sem energia, não tem luz, ventilação, computador, etc.
Maaaas, a chefia, é claro, continua cobrando os relatórios periódicos, e eu (nem nenhum outro funcionário) não quero usar o computador da secretaria, que é em outro prédio. Então foi puxada uma extensão onde ligamos ventilador e computador. Que após algum tempo estourou, saiu até fogo, derreteu uma tomada...
Chamaram um eletricista, que..... Puxou outra extensão! Ok. Estavamos "conseguindo" usar. Mas não podemos ligar muita coisa, então passamos calor do mesmo jeito.
Então hoje, recebemos ligação da chefe de gabinete dizendo que ia no equipamento. Achamos que era pra verificar a nossa situação, que ingenuidade.
O motivo da visita é: Verificar se as encarregadas estão escondento carne no freezer (que está na minha sala de atendimento... mas essa não é a preocupação dela)!!!!!!!!
Espera, fica pior. Ela estava a caminho, mas.... lembrou que estávamos sem luz, e como ela não pode passar calor (mas eu posso, né), não foi. Mandou (claro que não pediu, pra que pedir) as encarregadas fazerem uma listagem e levarem na salinha com ar condicionado dela....
Ah, só pra terminar, fiquei bastante irritada e liguei pro sindicato e diretoria regional, que me mandaram.... fazer soliticação a minha secretaria (coisa que já foi feita por escrita desde o ano passado). É, funcionário público não faz nada gente..........
Como se já não bastasse os problemas intrínsecos do trabalho em serviço de acolhimento, por ser uma demanda de alta complexidade da assistência social, ultimamente a gente vem tendo que lidar com problemas operacionais que, além de travar o andamento do trabalho técnico, torna o dia a dia estressante.
Vamos ser mais concretos: serviço de acolhimento são os antigos abrigos, ou seja, é uma casa, e trabalho com pessoa que não tem mais pra onde ir, então moram por um tempo lá até de organizar para retomar a vida independente.
A sala da coordenação, onde atende eu, a assistente social e duas encarregadas, fica na parte da frente da casa, separada da parte de trás, onde ficam alguns quartos.
A casa é velha, bem velha. e dia 11/11/2015 a fiação simplesmente parou de funcionar na parte da frente da casa. Ou seja, ficamos sem energia, não tem luz, ventilação, computador, etc.
Maaaas, a chefia, é claro, continua cobrando os relatórios periódicos, e eu (nem nenhum outro funcionário) não quero usar o computador da secretaria, que é em outro prédio. Então foi puxada uma extensão onde ligamos ventilador e computador. Que após algum tempo estourou, saiu até fogo, derreteu uma tomada...
Chamaram um eletricista, que..... Puxou outra extensão! Ok. Estavamos "conseguindo" usar. Mas não podemos ligar muita coisa, então passamos calor do mesmo jeito.
Então hoje, recebemos ligação da chefe de gabinete dizendo que ia no equipamento. Achamos que era pra verificar a nossa situação, que ingenuidade.
O motivo da visita é: Verificar se as encarregadas estão escondento carne no freezer (que está na minha sala de atendimento... mas essa não é a preocupação dela)!!!!!!!!
Espera, fica pior. Ela estava a caminho, mas.... lembrou que estávamos sem luz, e como ela não pode passar calor (mas eu posso, né), não foi. Mandou (claro que não pediu, pra que pedir) as encarregadas fazerem uma listagem e levarem na salinha com ar condicionado dela....
Ah, só pra terminar, fiquei bastante irritada e liguei pro sindicato e diretoria regional, que me mandaram.... fazer soliticação a minha secretaria (coisa que já foi feita por escrita desde o ano passado). É, funcionário público não faz nada gente..........
![]() |
| tem um freezer na minha sala, sim |
![]() |
| na verdade essa era pra ser minha sala, mas é um estoque... |
![]() |
| essa é a sala das encarregadas, iluminadíssima |
![]() |
| essa é uma das nossas cadeiras :D ótima pra quem ainda não tem problema na coluna (e quer problema na coluna) |
![]() |
| e aí nossa gambiarra |
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
Resistência a psicologia :(
Hoje eu estava deitada na minha cama, agora da parte da noite, quando ouço minha mãe terminando de se arrumar.
Ouço o spray do desodorante e os sapatos batendo no piso pelo corredor, ela passa pela frente da minha porta enquanto diz "vou buscar seu pai". As gavetas batem, mais sapatos, agora pelas escadas abaixo e a porta se fechando.
Então pegadas diferentes, agora chinelos, e minha irmã entra no meu quarto dizendo "ela disse que sairia sem documento, falei que tinha visto aqui e ela não esperou", enquanto pega o documento do carro, que estava em frente ao meu notebook. Totalmente a vista de quem passa pela porta aberta do meu quarto.
~
O clima está pesado em tanto lugares que frequento que comecei a achar, mesmo não acreditando nessas coisas, que eu que estava exalando uma aura ruim.
Esses chiliques e demonstrações de drama da minha mãe, são frequentes, ela sequer perguntou com quem estava o documento do carro, apenas saiu, com certeza reclamando em um tom de voz que não fosse possível ouvir do quarto (pois, o documento estava visível) que sairia sem documento e que esperava que fosse parada em uma batida e que tivesse o carro apreendido. Sei que ela disse isso, porque já ouvi ela dizer isso enquanto o noivo da minha irmã corria pelas escadas com o documento do carro nas mãos.
Já disse pra ela que essas cenas estavam muito frequentes e que ela estava se estressando com facilidade, eu sou psicóloga, minha irmã faz terapia há anos. Ela já me revelou que quando tivesse tempo, faria uma segunda faculdade, e que essa seria psicologia. Então por que tamanha resistência em aceitar que todos esses sinais de estress são pedidos de socorro da saúde mental dela?
:( é complicado.
Ouço o spray do desodorante e os sapatos batendo no piso pelo corredor, ela passa pela frente da minha porta enquanto diz "vou buscar seu pai". As gavetas batem, mais sapatos, agora pelas escadas abaixo e a porta se fechando.
Então pegadas diferentes, agora chinelos, e minha irmã entra no meu quarto dizendo "ela disse que sairia sem documento, falei que tinha visto aqui e ela não esperou", enquanto pega o documento do carro, que estava em frente ao meu notebook. Totalmente a vista de quem passa pela porta aberta do meu quarto.
~
O clima está pesado em tanto lugares que frequento que comecei a achar, mesmo não acreditando nessas coisas, que eu que estava exalando uma aura ruim.
Esses chiliques e demonstrações de drama da minha mãe, são frequentes, ela sequer perguntou com quem estava o documento do carro, apenas saiu, com certeza reclamando em um tom de voz que não fosse possível ouvir do quarto (pois, o documento estava visível) que sairia sem documento e que esperava que fosse parada em uma batida e que tivesse o carro apreendido. Sei que ela disse isso, porque já ouvi ela dizer isso enquanto o noivo da minha irmã corria pelas escadas com o documento do carro nas mãos.
Já disse pra ela que essas cenas estavam muito frequentes e que ela estava se estressando com facilidade, eu sou psicóloga, minha irmã faz terapia há anos. Ela já me revelou que quando tivesse tempo, faria uma segunda faculdade, e que essa seria psicologia. Então por que tamanha resistência em aceitar que todos esses sinais de estress são pedidos de socorro da saúde mental dela?
:( é complicado.
segunda-feira, 1 de junho de 2015
Espiritualidade e doença mental
Hoje eu cheguei no trabalho e as meninas estavam conversando.
~
- Gente, falei com meu amigo do centro espírita e perguntei sobre a vó. Ele disse que pra ela estar assim, ou ela ficou devendo pro santo ou usa a religião em vão.
- Olha, só de seguir uma religião e largar, a pessoa já fica sem rumo. Tem que ter uma preparação.
~
Eu gosto muito de Jung, super concordo com ele que tem pessoas que precisam de uma vida espiritual pra se apoiar, mas daí a falar que uma pessoa claramente esquizofrênica, tem apenas problemas espirituais é complicado.
Me senti na idade média. Nas pessoas falando em castigo de Deus ou que com problemas mentais se comunicavam com Deus/diabo.
Esquizofrenia é uma doença mental. E é séria. Incapacitante. Com certeza se você precisa, a espiritualidade é importante, mas não o principal... As pessoas precisam de tratamento médico, psicológico, terapia ocupacional e tudo o que tem direito pra voltar a uma vida funcional!
Agora ouvir que quando você chega perto dela, sente os demônios e tem dor de cabeças?
Em que ano estamos mesmo?
~
- Gente, falei com meu amigo do centro espírita e perguntei sobre a vó. Ele disse que pra ela estar assim, ou ela ficou devendo pro santo ou usa a religião em vão.
- Olha, só de seguir uma religião e largar, a pessoa já fica sem rumo. Tem que ter uma preparação.
~
Eu gosto muito de Jung, super concordo com ele que tem pessoas que precisam de uma vida espiritual pra se apoiar, mas daí a falar que uma pessoa claramente esquizofrênica, tem apenas problemas espirituais é complicado.
Me senti na idade média. Nas pessoas falando em castigo de Deus ou que com problemas mentais se comunicavam com Deus/diabo.
Esquizofrenia é uma doença mental. E é séria. Incapacitante. Com certeza se você precisa, a espiritualidade é importante, mas não o principal... As pessoas precisam de tratamento médico, psicológico, terapia ocupacional e tudo o que tem direito pra voltar a uma vida funcional!
Agora ouvir que quando você chega perto dela, sente os demônios e tem dor de cabeças?
Em que ano estamos mesmo?
sexta-feira, 10 de abril de 2015
Pequeno desabafo
Se tem uma coisa que me irrita é falta de humildade, e já venho ficando incomodada com umas situações no trabalho.
Eu vou fazer em Maio dois anos de prefeitura, por um ano e nove meses eu trabalhei em CRAS e em dezembro fui transferida para os abrigos, só que fiquei por volta de 15 dias na secretaria me apropriando do serviço, junto com a diretora, e fiquei somente 15 dias em serviço e entrei de férias. Isso revezando dois dias por semana em um e três em outro.
Por esse período já percebi que a assistente social que trabalhava lá, me cobrava algumas coisas que eu não concordava, mas como estava começando, acabava deixando pra lá. Pra minha surpresa, hoje, fiquei sabendo que essa sujeita ligou pra assistente social do meu outro serviço pra perguntar como eu estava trabalhando porque lá eu "não fazia nada". Ela ligou no meu período de férias, ou seja, ela queria que eu me apropriasse de um serviço que eu nunca tinha feito em 15 dias revezados em outra casa, ou seja, fiquei lá por volta de seis dias, SEIS DIAS em um serviço e ela queria que eu fizesse O QUE?
Brincadeira, né?
Eu já percebi que na cabeça dela, ela é uma super heroína que faz um trabalho super especial, quando na realidade ela não faz nada mais que a obrigação dela. Mas daí a me avaliar em seis dias de trabalho? Faça-me o favor.
segunda-feira, 6 de abril de 2015
Incêndio e respostas condicionadas
Realmente as pessoas são engraçadas, às vezes umas reações são inesperadas. Há uns dias começou um incêndio aqui na baixada santista e as reações são as mais diversas possíveis!
Eu sei que a situação é perigosa, e acaba deixando algumas pessoas ansiosas, e eu tinha visto na internet as pessoas falando das consequências mais absurdas, inclusive de ter material radioativo; sério gente? Material radioativo? Noção, né.
Mas aí que tá, essas pessoas estão "longe", são ignorantes em informação, isso não acontece na nossa casa, certo? Errado! Hoje uma prima minha simplesmente estava comprando passagens para Santa Catarina, para irmos todos morar lá! Simplesmente porque ela viu na internet que a poluição do ar era muita e que a mídia estava ocultando informações, somando que alguns familiares (inclusive eu) estamos com falta de ar, conclusão: precisamos mudar de estado.
Calma lá, até eu que sou impulsiva não pensei nisso, às vezes o discernimento foge um pouco. Eu não sou química, mas sei que a situação não é grave o suficiente pra precisarmos mudar de estado. E talvez a falta de ar coincida com a mudança de estação! Nessas horas a gente tem que respirar fundo e pensar com calma, questionar a autenticidade das informações.
É simplesmente inviável jogar toda a sua vida pro ar porque leu algumas notícias na internet. Talvez seja hora de rever a nossa forma de resposta às contingências da vida.
E olha que não sou psicóloga comportamental.
Eu sei que a situação é perigosa, e acaba deixando algumas pessoas ansiosas, e eu tinha visto na internet as pessoas falando das consequências mais absurdas, inclusive de ter material radioativo; sério gente? Material radioativo? Noção, né.
Mas aí que tá, essas pessoas estão "longe", são ignorantes em informação, isso não acontece na nossa casa, certo? Errado! Hoje uma prima minha simplesmente estava comprando passagens para Santa Catarina, para irmos todos morar lá! Simplesmente porque ela viu na internet que a poluição do ar era muita e que a mídia estava ocultando informações, somando que alguns familiares (inclusive eu) estamos com falta de ar, conclusão: precisamos mudar de estado.
Calma lá, até eu que sou impulsiva não pensei nisso, às vezes o discernimento foge um pouco. Eu não sou química, mas sei que a situação não é grave o suficiente pra precisarmos mudar de estado. E talvez a falta de ar coincida com a mudança de estação! Nessas horas a gente tem que respirar fundo e pensar com calma, questionar a autenticidade das informações.
É simplesmente inviável jogar toda a sua vida pro ar porque leu algumas notícias na internet. Talvez seja hora de rever a nossa forma de resposta às contingências da vida.
E olha que não sou psicóloga comportamental.
sábado, 4 de abril de 2015
Projeção? Sombra?
Engraçado como as pessoas se interessam pela vida alheia. Queria ter uma teoria pra isso, queria saber o motivo; porque não é só curiosidade crua; Já venho notando de uns tempos pra cá como sobe o número de visualizações quando eu faço posts extremamente pessoais. Qual é a dessa curiosidade?
A gente quer saber se os outros tão melhores? Ou se tão piores? É pra comparar com a nossa própria vida? Ou é pra agourar do outro? Será que é pra procurar defeito? Como se falar mal da vida dos outros melhorasse a nossa, né?
Assim, nós vemos o outro como um espelho de nós mesmo, projetamos no outro o que não queremos ver na gente. Pode ser projeção do Freud, como pode ser a sombra do Jung, independente de teoria psicológica de formação de personalidade, a gente só enxerga exacerbado dessa forma como defeito do lado de fora o que está desesperadamente tentando ser visto dentro de nós.
Então cuidado aí no que tanto vocês buscam de fofoca por aí ;) fikdik
Imagem via.
A gente quer saber se os outros tão melhores? Ou se tão piores? É pra comparar com a nossa própria vida? Ou é pra agourar do outro? Será que é pra procurar defeito? Como se falar mal da vida dos outros melhorasse a nossa, né?
Assim, nós vemos o outro como um espelho de nós mesmo, projetamos no outro o que não queremos ver na gente. Pode ser projeção do Freud, como pode ser a sombra do Jung, independente de teoria psicológica de formação de personalidade, a gente só enxerga exacerbado dessa forma como defeito do lado de fora o que está desesperadamente tentando ser visto dentro de nós.
Então cuidado aí no que tanto vocês buscam de fofoca por aí ;) fikdik
Imagem via.
segunda-feira, 30 de março de 2015
Gente que não sabe conversar
Eu acho que todo mundo deveria ter um blog, ou um lugar pra escrever ou ir a um psicólogo, ou simplesmente qualquer coisa ou atividade que as permitissem fazer um monólogo; Se as pessoas soubessem o quanto é chato não poder falar numa conversa, elas treinariam ouvir.
Sim, eu sei que eu sou psicóloga, sem idiotices nos comentários. Mas uma coisa é ouvir numa consulta, num atendimento, e outra numa conversa entre amigos, é absurdamente chato quando uma pessoa tem tanta necessidade de falar que não deixa mais ninguém falar numa roda de amigos. Quando te corta, volta a falar de si mesma, só sobre seus problemas.
Eu entendo, realmente entendo que tem gente que precisa falar, que tem poucos amigos íntimos, mas sério, eu não sou psicóloga 24 horas, eu também gosto de conversa normal, onde todo mundo expõe sua opinião e sua vida, dá risada e se diverte.
Entendam, NÃO é divertido ouvir monólogos de amigos. Só é legal quando você pagou pra ouvir alguém muito legal ou está sendo paga pra isso. Sério.
Sim, eu sei que eu sou psicóloga, sem idiotices nos comentários. Mas uma coisa é ouvir numa consulta, num atendimento, e outra numa conversa entre amigos, é absurdamente chato quando uma pessoa tem tanta necessidade de falar que não deixa mais ninguém falar numa roda de amigos. Quando te corta, volta a falar de si mesma, só sobre seus problemas.
Eu entendo, realmente entendo que tem gente que precisa falar, que tem poucos amigos íntimos, mas sério, eu não sou psicóloga 24 horas, eu também gosto de conversa normal, onde todo mundo expõe sua opinião e sua vida, dá risada e se diverte.
Entendam, NÃO é divertido ouvir monólogos de amigos. Só é legal quando você pagou pra ouvir alguém muito legal ou está sendo paga pra isso. Sério.
quinta-feira, 26 de março de 2015
Como é trabalhar de psicóloga na área social - pt 2
Trabalhei um ano e meio na diretoria básica, em CRAS, e há alguns meses fui transferida pra diretoria da alta complexidade, para as casas de passagem e serviços de acolhimentos (se você não tá entendendo nada, leia esse post).
Fiquei como técnica responsável pelas casas de adultos; No município que eu trabalho temos quatro casas, duas pra crianças, e duas pra adultos. Sendo nas categorias casa de passagem e serviço de acolhimento. Nas casas de passagem os atendidos podem ficar até três meses, para de organizarem e encontrarem um lugar para ficar, retornar ao convívio familiar ou ser transferido para outro serviço. Nos serviços de acolhimento de longo prazo pode-se ficar por até três anos, são geralmente casos mais crônicos que necessitam de mais tempo para se organizar.
Fico duas vezes por semana numa casa e três vezes em outra. Na casa de passagem normalmente o público são moradores de rua que necessitam de um endereço físico para dar continuidade a algum tratamento de saúde, pessoas que tiveram problemas em sua moradia (enchentes, incêndios) e necessitam de um tempo para que possam retornar. O serviço é voltado para indivíduos com vínculo familiar rompido ou sem nenhum vínculo familiar, migrantes, pessoas sem condição de auto-sustento.
Todas as casas possuem assistente social. No geral nossos serviços se cruzam e se misturam, ficando diferenciado o olhar para cada caso. Minha rotina é prover acolhimento, atendimento e aconselhamento psicológico, no sentido de dar um suporte pra essa fase da vida que estão passando, não tenho um foco clínico, se necessário encaminho para os serviços da saúde.
A maioria dos acolhidos tem problema mental ou toma remédio controlado. Alguns tem discurso confuso, e a maioria está bastante acostumada a esperar que façam as coisas para eles; bastante assistencialismo, bem arraigado. Tento trabalhar no sentido de fortalecer a independência e mostrar a sua responsabilidade para com sua própria vida. A casa provê as necessidades básicas, enquanto isso tentamos dar um empurrão pra pessoa melhorar de vida. Há muitos casos reincidentes, muitos casos que estão sendo empurrados com a barriga por anos. Os profissionais são constantemente trocados a bel prazer da diretoria, e diversos funcionários já desistiram de começar um trabalho com os atendidos (ou nunca quiseram começar, já se acomodaram com o fato de ter emprego garantido pro resto da vida).
Alguns atendimentos são frustrantes, algumas pessoas simplesmente desistiram de tentar e jogaram as vidas nas mãos de outras pessoas, como se não fossem nada, como se nada valesse a pena. Não demonstram sinais de depressão, não demonstram sinais de nada. Simplesmente pra eles não faz diferença se vão se dar bem ou mal. Perspectiva zerada. Ambição inexistente.
Fiquei como técnica responsável pelas casas de adultos; No município que eu trabalho temos quatro casas, duas pra crianças, e duas pra adultos. Sendo nas categorias casa de passagem e serviço de acolhimento. Nas casas de passagem os atendidos podem ficar até três meses, para de organizarem e encontrarem um lugar para ficar, retornar ao convívio familiar ou ser transferido para outro serviço. Nos serviços de acolhimento de longo prazo pode-se ficar por até três anos, são geralmente casos mais crônicos que necessitam de mais tempo para se organizar.
Fico duas vezes por semana numa casa e três vezes em outra. Na casa de passagem normalmente o público são moradores de rua que necessitam de um endereço físico para dar continuidade a algum tratamento de saúde, pessoas que tiveram problemas em sua moradia (enchentes, incêndios) e necessitam de um tempo para que possam retornar. O serviço é voltado para indivíduos com vínculo familiar rompido ou sem nenhum vínculo familiar, migrantes, pessoas sem condição de auto-sustento.
Todas as casas possuem assistente social. No geral nossos serviços se cruzam e se misturam, ficando diferenciado o olhar para cada caso. Minha rotina é prover acolhimento, atendimento e aconselhamento psicológico, no sentido de dar um suporte pra essa fase da vida que estão passando, não tenho um foco clínico, se necessário encaminho para os serviços da saúde.
A maioria dos acolhidos tem problema mental ou toma remédio controlado. Alguns tem discurso confuso, e a maioria está bastante acostumada a esperar que façam as coisas para eles; bastante assistencialismo, bem arraigado. Tento trabalhar no sentido de fortalecer a independência e mostrar a sua responsabilidade para com sua própria vida. A casa provê as necessidades básicas, enquanto isso tentamos dar um empurrão pra pessoa melhorar de vida. Há muitos casos reincidentes, muitos casos que estão sendo empurrados com a barriga por anos. Os profissionais são constantemente trocados a bel prazer da diretoria, e diversos funcionários já desistiram de começar um trabalho com os atendidos (ou nunca quiseram começar, já se acomodaram com o fato de ter emprego garantido pro resto da vida).
Alguns atendimentos são frustrantes, algumas pessoas simplesmente desistiram de tentar e jogaram as vidas nas mãos de outras pessoas, como se não fossem nada, como se nada valesse a pena. Não demonstram sinais de depressão, não demonstram sinais de nada. Simplesmente pra eles não faz diferença se vão se dar bem ou mal. Perspectiva zerada. Ambição inexistente.
terça-feira, 24 de março de 2015
Como é trabalhar como Psicóloga na área social
Deixa eu começar explicando que quando você faz psicologia, assim como todas profissões, você tem áreas a seguir. São muitas mesmo: Clínica, saúde mental, hospitalar, neurociências, organizacional, social, publicidade, esporte... E por aí vai. Bom, logo depois de formada eu trabalhei fora da área e depois passei em concurso público, assim não escolhi a área, somente fui encaminhada para a secretaria de assistência social; Essa sendo dividida em três diretorias, a baixa, média e alta complexidade, fazendo uma comparação direta com a saúde, baixa complexidade seriam as UBSs (Unidade básica de saúde); Média, os AMEs (Ambulatório médico de especialidades) e Alta complexidade os hospitais. Na área social seriam, respectivamente os CRAS, CREAS e Serviços de acolhimento. Na saúde nos tratamos a saúde (dã) e na área social, nós trabalhamos as vulnerabilidades sociais.
O que seriam vulnerabilidades sociais? São riscos sociais, geralmente associadas a pobreza, mas nem sempre. Pessoas em vulnerabilidade social são aquelas que são expostas a exclusão social, pessoas pobres ou próximas a linha da pobreza, vítimas de violência doméstica, pessoas em condições precárias de moradia, sem condições de auto-sustento; abandonadas e/ou expulsas dos espaços de convívio da sociedade.
Nos CRAS (Centro de referência de assistência social) se trabalha a prevenção a vulnerabilidade social; Com as famílias expostas a situação de risco social, mas que ainda não sofreram nenhuma violação de direitos humanos; Geralmente é onde se busca informações para benefícios eventuais, cadastros para bolsa famílias e outros programas do governo para evitar que essas famílias/indivíduos cheguem a se tornar marginalizados pela sociedade.
Nos CREAS (Centro de referência especializado de assistência social) se tratam assuntos específicos nos casos em que já foi sofrida alguma violação de direitos. Crianças/mulheres/idosos vítimas de violência e moradores de rua são os principais públicos.
Nos serviços de acolhimentos são atendidos indivíduos que já tiveram vários direitos violados, não tendo mais nenhum vínculo familiar ou social para onde possam retornar, tendo que ser assim acolhidos por um equipamento do município para que sejam trabalhados para adquirir autonomia para retornar ao convívio social/mercado de trabalho.
Quando entrei na prefeitura, comecei pela baixa complexidade, trabalhei num CRAS. O serviço em si era bem precário, basicamente ficávamos preenchendo cadastros de bolsa família a maior parte do dia. Mas mesmo nessa situação, comecei a entrar em contato com diversas situações que estavam completamente fora da minha visão.Já comecei a rever vários conceitos internos. Comecei a ampliar muito a minha visão das coisas, tanto que algumas preocupações parecem simplesmente insignificantes agora, depois de ver famílias inteiras morando em casas menores que meu quarto.
É tanta, mas tanta gente, que a gente começa a entender as estatísticas. Coisas que no meu mundinho é normal, eles nem pensam em ter, nem sabem que existe, é coisa de novela. Sério mesmo, tem gente que nunca viu "queijo embalado um a um".
O trabalho do psicólogo acaba sendo muito diferente do que vemos na faculdade, que tem um viés clínico, de elite. Na área social nos temos que lidar com o básico, confiança, segurança, auto estima, autonomia. Entender o contexto de pessoas que não tem a mínima noção que fazem parte do mesmo mundo que o meu. Que não sabem que também tem o direito de ter um trabalho digno, de reclamar por serviços melhores, e ter estudo de qualidade e quem sabe fazer uma faculdade e ser um "doutor".
Na área social a gente tem que estar muito mais por dentro de leis e políticas, de estatutos, de direitos. E trabalhar lado a lado com assistentes sociais, de trabalhar assuntos complexos lado a lado com necessidades básicas. Mostrar pra pessoa que ela pode ser mais, contudo, respeitando os limites do outro. Que pode sim querer as mesmas coisas que a gente, mas sem se apropriar delas, e sim conviver como igual. É difícil, é mesmo. Ainda por cima colocar de lado conceitos preconcebidos que ouvimos desde que somos pequenos.
A área social continua não sendo uma das minhas preferidas, ainda vou migrar pra saúde algum dia. Mas que ela me fez crescer como profissional e como pessoa, isso é inegável.
Senti aqui que é um assunto pra continuar... :)
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
Psicólogos são normais
Uma coisa que eu venho percebendo de uns tempos pra cá, sempre que estou conversando com uma pessoa, assim que eu falo que sou psicóloga e trabalho em abrigo, a pessoa começa a usar palavras difíceis. É estranho! Tipo a pessoa tá conversando normal, até usando gírias (o que eu já particularmente não gosto, mas deixo pra lá).
- O que você faz?
- Sou psicóloga (etc)
- Nossa, deve ser gratificante ver a superação das pessoas
~
- Sou psicóloga (etc)
- Você não fica anestesiada com algumas situações, deve ser arrebatador.
~
- Sou psicóloga
- Nossa, deve ser difícil, mas realmente psicólogos estão propícios a diversas situações.
~
Eu não entendo, a pessoa fica repentinamente com medo de ser analisada? haha É bem engraçado, o jeito de falar muda na hora. Psicólogos são pessoas normais e não vão te analisar o tempo todo. D:
- O que você faz?
- Sou psicóloga (etc)
- Nossa, deve ser gratificante ver a superação das pessoas
~
- Sou psicóloga (etc)
- Você não fica anestesiada com algumas situações, deve ser arrebatador.
~
- Sou psicóloga
- Nossa, deve ser difícil, mas realmente psicólogos estão propícios a diversas situações.
~
Eu não entendo, a pessoa fica repentinamente com medo de ser analisada? haha É bem engraçado, o jeito de falar muda na hora. Psicólogos são pessoas normais e não vão te analisar o tempo todo. D:
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
Meu primeiro Psicopata
Uma vez, quando eu ainda estudava, me disseram que todo psicólogo atende pelo menos uma vez um psicopata, e que às vezes acaba sendo enganado por ele. Aí tivemos toda uma aula de psicopatologia, explicando e etc.
Bom, hoje foi a minha vez, A. já era atendida em outro equipamento da prefeitura, no qual o ex-marido foi lá fazer um barraquinho à lá casos de família, e por isso ela teve que ser transferida com o filho de colo para o equipamento que estou trabalhando.
Começo explicando que não, não é todo psicopata que mata, só que os que tomam fama e vão pra televisão e ganham 500 mil filmes e livros sobre o caso são eles, mas na realidade, eles são mais comuns que imaginamos, é um transtorno de personalidade no qual a pessoa não tem empatia por outras pessoas, ou seja, não consegue se por no lugar do outro, acaba também não criando vínculos com ninguém, utiliza as pessoas somente para chegar nos objetivos. Costuma então, ser egoísta e egocêntrico, manipulador e mentiroso. Pode fingir com a maior facilidade os seus sentimentos, e só deixa de fazer as coisas única e exclusivamente para evitar algum tipo de punição ou desprazer. Aposto que você já pensou em algumas pessoas.
Bom, A. chegou no equipamento num dia que eu não trabalho lá, pois sou psicóloga responsável por dois serviços da prefeitura, trabalhando alternadamente entre eles. Já sabia um pouco de sua história, pois sua família já é "problemática", mãe se prostituía e seu irmão foi morto por espancamento devido a se envolver com o tráfico. Meu horário de trabalho é das 9h as 17h, cheguei um pouco depois do horário, as 9h30, e 11h já não aguentava mais olhar pra cara dela, pensa numa pessoinha insuportável! Até escrevi na minha agenda "contra-transferência A. raiva/intolerância"; ela simplesmente suga as pessoas em volta dela, o tempo inteiro quer contar a história dela, de como é vítima de tudo, depois infere as coisas que precisa, as coisas mesmo, pois tem um apego enorme por coisas, dinheiro, prata, objetos. Sempre objetos.
Disse que estava com saudades da Assistente Social do outro serviço, fui mais a fundo na história e fiquei sabendo que esta, se apegou a A. e seu bebê, dando a ela presentes e conseguindo um carrinho de bebê; A. então, diversas vezes soltava o freio do carrinho, para que o bebê caísse, e assim culpava a assistente social porque o carrinho era "ruim". Mesmo assim, diversas vezes me pediu para entrar em contato com a assistente social, pois ela "a amava demais".
Se aproximava demais ao conversar, era invasiva, entrava com frequência sem ser chamada na sala de atendimento, fazia elogios vazios o tempo inteiro "que cabelo lindo"; "adorei sua pulseira"; "posso ver seu estojo"; antes de solicitar algo que sabia que era impróprio "posso utilizar o telefone? queria muito ligar pra minha mãe", sabendo das regras da casa e que para a própria segurança de todos os atendidos, não é possível, somente os técnicos e operadores podem utilizá-lo; inclusive dizendo depois que não sabia o telefone da mãe, pois não tinham contato. Sempre, sempre era possível verificar uma segunda intenção nas falas ou pedidos dela.
Já alertei a todos que não fiquem sozinhos com ela, que sempre estejam na presença de outra pessoa que possa servir de testemunha para o que foi feito ou dito, porque é muito possível que ela manipule informações afim de criar discórdia e formar "alianças" para conseguir o que deseja na casa.
Foi um inferno. Nunca imaginei que minha primeira vez atendendo um psicopata seria chata! haha Sempre os imaginei mais sedutores :P Quem sabe o próximo?
Bom, hoje foi a minha vez, A. já era atendida em outro equipamento da prefeitura, no qual o ex-marido foi lá fazer um barraquinho à lá casos de família, e por isso ela teve que ser transferida com o filho de colo para o equipamento que estou trabalhando.
Começo explicando que não, não é todo psicopata que mata, só que os que tomam fama e vão pra televisão e ganham 500 mil filmes e livros sobre o caso são eles, mas na realidade, eles são mais comuns que imaginamos, é um transtorno de personalidade no qual a pessoa não tem empatia por outras pessoas, ou seja, não consegue se por no lugar do outro, acaba também não criando vínculos com ninguém, utiliza as pessoas somente para chegar nos objetivos. Costuma então, ser egoísta e egocêntrico, manipulador e mentiroso. Pode fingir com a maior facilidade os seus sentimentos, e só deixa de fazer as coisas única e exclusivamente para evitar algum tipo de punição ou desprazer. Aposto que você já pensou em algumas pessoas.
Bom, A. chegou no equipamento num dia que eu não trabalho lá, pois sou psicóloga responsável por dois serviços da prefeitura, trabalhando alternadamente entre eles. Já sabia um pouco de sua história, pois sua família já é "problemática", mãe se prostituía e seu irmão foi morto por espancamento devido a se envolver com o tráfico. Meu horário de trabalho é das 9h as 17h, cheguei um pouco depois do horário, as 9h30, e 11h já não aguentava mais olhar pra cara dela, pensa numa pessoinha insuportável! Até escrevi na minha agenda "contra-transferência A. raiva/intolerância"; ela simplesmente suga as pessoas em volta dela, o tempo inteiro quer contar a história dela, de como é vítima de tudo, depois infere as coisas que precisa, as coisas mesmo, pois tem um apego enorme por coisas, dinheiro, prata, objetos. Sempre objetos.
Disse que estava com saudades da Assistente Social do outro serviço, fui mais a fundo na história e fiquei sabendo que esta, se apegou a A. e seu bebê, dando a ela presentes e conseguindo um carrinho de bebê; A. então, diversas vezes soltava o freio do carrinho, para que o bebê caísse, e assim culpava a assistente social porque o carrinho era "ruim". Mesmo assim, diversas vezes me pediu para entrar em contato com a assistente social, pois ela "a amava demais".
Se aproximava demais ao conversar, era invasiva, entrava com frequência sem ser chamada na sala de atendimento, fazia elogios vazios o tempo inteiro "que cabelo lindo"; "adorei sua pulseira"; "posso ver seu estojo"; antes de solicitar algo que sabia que era impróprio "posso utilizar o telefone? queria muito ligar pra minha mãe", sabendo das regras da casa e que para a própria segurança de todos os atendidos, não é possível, somente os técnicos e operadores podem utilizá-lo; inclusive dizendo depois que não sabia o telefone da mãe, pois não tinham contato. Sempre, sempre era possível verificar uma segunda intenção nas falas ou pedidos dela.
Já alertei a todos que não fiquem sozinhos com ela, que sempre estejam na presença de outra pessoa que possa servir de testemunha para o que foi feito ou dito, porque é muito possível que ela manipule informações afim de criar discórdia e formar "alianças" para conseguir o que deseja na casa.
Foi um inferno. Nunca imaginei que minha primeira vez atendendo um psicopata seria chata! haha Sempre os imaginei mais sedutores :P Quem sabe o próximo?
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Crônicas do CRAS - Coincidências
Lá onde eu trabalho é um equipamento público. Parece ser uma casa antiga que foi (mal) utilizada para atendimento. Do lado direito há três salas de atendimento técnico e do lado esquerdo há a recepção e a coordenação, separando elas há um espaço vazio que não é utilizado pra nada e há um espaço na frente que seria um local de espera, com um banco daqueles grandes de madeira.
Aquele banco de madeira foi onde eu conheci pela primeira vez a dona I., é uma senhorinha de pele escura, baixinha e bem magra; ela estava sentada no cantinho do banco falando sozinha. Ninguém a atendeu, ela estava aguardando sua técnica de referência; os demais usuários sentavam ao lado dela e quando percebiam que falava sozinha, se afastavam.
Agora, depois de oito meses de prefeitura, eu já conheço I., converso com ela, vejo melhora constante em sua sanidade mental. Ela é alcoólatra em frequente tratamento, mora num local que ela apelida de 'sítio', mas na verdade é um mato a céu aberto, no qual ela cria animais e tem algumas plantas. Já foi estuprada lá (acreditamos que mais de uma vez) e uma vez estava bem deprimida e chegou dizendo que "até o gato a abandonou". É uma história triste, e ela mesma consegue reconhecer que só bebe porque acha que é só isso que é verdadeiramente dela. Há meses não a vejo falando sozinha no banco.
Hoje foi um dia calmo (o que é bastante incomum), nenhum dos agendamentos compareceu na parte da manhã, e houve pouca demanda espontânea, uma delas foi a Dona I., que chegou bastante suada, pois era um dia bem quente e abafado; seu alcoolismo lhe deu diversos problemas de saúde e ela tem que fazer exames constantes na cidade vizinha; hoje ela necessitava de um vale transporte para um desses exames.
Ela entrou pelos portões abertos e logo a reconheci e a saudei com um "boa tarde!" animado, que me respondeu com a mesma animação, questionei do que ela precisava hoje e ela entregou o papel para retorno e retirada de resultados de exames.
Como de costume perguntei como estavam as coisas e conversamos um pouco, me contou que o médico que fez o exame era bonito mas que ele havia gostado de seu amigo e não dela e demos bastante risada, dei o cartão que tem duas passagens pra ela ir e voltar e ela agradeceu dizendo que colheria flores para mim.
Mais tarde, no mesmo dia, chegou uma moça com uma bebê de colo, foi atendida pela recepção que me questionou o que fazer, pois ela disse que foi expulsa de casa. Depois das devidas apresentações, conversamos.
- Meu amor, quantos anos você tem?
- 17.
- E o que houve?
- Meu marido começou a ficar agressivo e eu fugi de casa, ele ia me agredir, então saí com a bebê.
- E você não tem pra onde ir?
- Não...
- Onde estão seus pais?
- Meu pai eu nunca soube, minha mãe é alcoólatra e vive por aí na rua, nunca sei onde ela está.
Nessa hora, a Talita (Recepção) me diz:
- Ela é filha da Dona I.!
Viro pra ela e pergunto:
- Sua mãe se chama I.?
- Sim.
- Ela esteve aqui hoje.
- Ah. Ela apareceu em algum lugar, é? - Respondeu R. visivelmente ressentida.
- Sim, ela veio buscar auxílio para fazer exames, ela está se tratando do alcoolismo e está bem melhor, lúcida na maior parte do tempo, você deveria vê-la! Ela fala bastante da netinha...
R. não respondeu, e não pareceu muito feliz com a ideia. Segui com o atendimento e consegui, com ajuda da sub diretora, um carro para levá-la ao serviço especializado.
Mas que coincidência, algumas horinhas antes para R. ou algumas horas depois para Dona I. e elas poderiam ter se encontrado. De vez em quando temos algumas histórias bastante interessantes, fora da correria.
Amanhã terei minha primeira experiência com uma desapropriação... Acho que vou estudar!
Aquele banco de madeira foi onde eu conheci pela primeira vez a dona I., é uma senhorinha de pele escura, baixinha e bem magra; ela estava sentada no cantinho do banco falando sozinha. Ninguém a atendeu, ela estava aguardando sua técnica de referência; os demais usuários sentavam ao lado dela e quando percebiam que falava sozinha, se afastavam.
Agora, depois de oito meses de prefeitura, eu já conheço I., converso com ela, vejo melhora constante em sua sanidade mental. Ela é alcoólatra em frequente tratamento, mora num local que ela apelida de 'sítio', mas na verdade é um mato a céu aberto, no qual ela cria animais e tem algumas plantas. Já foi estuprada lá (acreditamos que mais de uma vez) e uma vez estava bem deprimida e chegou dizendo que "até o gato a abandonou". É uma história triste, e ela mesma consegue reconhecer que só bebe porque acha que é só isso que é verdadeiramente dela. Há meses não a vejo falando sozinha no banco.
Hoje foi um dia calmo (o que é bastante incomum), nenhum dos agendamentos compareceu na parte da manhã, e houve pouca demanda espontânea, uma delas foi a Dona I., que chegou bastante suada, pois era um dia bem quente e abafado; seu alcoolismo lhe deu diversos problemas de saúde e ela tem que fazer exames constantes na cidade vizinha; hoje ela necessitava de um vale transporte para um desses exames.
Ela entrou pelos portões abertos e logo a reconheci e a saudei com um "boa tarde!" animado, que me respondeu com a mesma animação, questionei do que ela precisava hoje e ela entregou o papel para retorno e retirada de resultados de exames.
Como de costume perguntei como estavam as coisas e conversamos um pouco, me contou que o médico que fez o exame era bonito mas que ele havia gostado de seu amigo e não dela e demos bastante risada, dei o cartão que tem duas passagens pra ela ir e voltar e ela agradeceu dizendo que colheria flores para mim.
Mais tarde, no mesmo dia, chegou uma moça com uma bebê de colo, foi atendida pela recepção que me questionou o que fazer, pois ela disse que foi expulsa de casa. Depois das devidas apresentações, conversamos.
- Meu amor, quantos anos você tem?
- 17.
- E o que houve?
- Meu marido começou a ficar agressivo e eu fugi de casa, ele ia me agredir, então saí com a bebê.
- E você não tem pra onde ir?
- Não...
- Onde estão seus pais?
- Meu pai eu nunca soube, minha mãe é alcoólatra e vive por aí na rua, nunca sei onde ela está.
Nessa hora, a Talita (Recepção) me diz:
- Ela é filha da Dona I.!
Viro pra ela e pergunto:
- Sua mãe se chama I.?
- Sim.
- Ela esteve aqui hoje.
- Ah. Ela apareceu em algum lugar, é? - Respondeu R. visivelmente ressentida.
- Sim, ela veio buscar auxílio para fazer exames, ela está se tratando do alcoolismo e está bem melhor, lúcida na maior parte do tempo, você deveria vê-la! Ela fala bastante da netinha...
R. não respondeu, e não pareceu muito feliz com a ideia. Segui com o atendimento e consegui, com ajuda da sub diretora, um carro para levá-la ao serviço especializado.
Mas que coincidência, algumas horinhas antes para R. ou algumas horas depois para Dona I. e elas poderiam ter se encontrado. De vez em quando temos algumas histórias bastante interessantes, fora da correria.
Amanhã terei minha primeira experiência com uma desapropriação... Acho que vou estudar!
terça-feira, 27 de março de 2012
Sonhos
Bom, sou psicóloga e não tenho um teórico “preferido” ahahha Mas gosto de muitos e de muitas teorias juntas, não considero que nenhum esteja errada, todas estão certas e é a teoria é só uma maneira que você tem de ver seus pacientes, mas no final todas chegam num bom resultado! :)
Uma das linhas que eu gosto muito é a psicologia Analítica. Não concordo com tudo assim, mas gosto muito do jeito que eles dão importância para os sonhos. Uma coisa que eu fazia (quando tinha tempo) era anotar meus sonhos num caderno. Era um exercício que eu gostava muito, pena que agora estou sem tempo, e teria que acordar mais cedo pra isso, o que é inviável pra mim.
O “fundador” da psicologia analítica foi Jung, ele foi psiquiatra, amigo de Freud, Freud inclusive achou que ele seria seu sucessor. Só que eles acabaram chegando num impasse, os dois discordaram e acabaram brigando e se separando...
Bom, Jung dá uma importância enorme para os sonhos, ele dizia que se conseguíssemos lembrar de todos os nossos sonhos daria pra juntá-los que eles teriam um “sentido”, como se fosse um livro, uma história. E ele dizia que era bom anotar os sonhos todos os dias, logo depois que acordar, mesmo que não se lembre da “história” completa, anotar o que está sentindo quando acordar, alguma imagem que ficou na cabeça.
Todos os seres vivos sonham quando dormem, mesmo que não se lembre, sim, você sonhou. E pra Jung (como pra muitos outros teóricos) o sonho é uma ligação com sua mente, e pode dizer muito sobre você.
Bom, outro dia eu tive um pesadelo :( Sonhei que ia uma mulher em casa, ela era uma ladra, e tentava entrar em casa pra roubar alguma coisa, não me disse o que. Eu batia nela, batia feio, espancava ela mesmo! Mas era como se fosse um filme da Disney, não tinha sangue nem nada, mas eu batia muito feio nela, e enquanto eu tava batendo nela, ela olhou pra mim, séria, e disse mais ou menos assim: “não importa o quanto você me bater, eu vou roubar suas coisas, elas não te pertencem”. Aí eu acordei, assustada.
Nossa, foi um pesadelo pra mim :( Mas, mostra realmente como eu sou, como eu estou me sentindo, ainda mais que estou de TPM ahahah Eu estou feliz, muito feliz, e às vezes não acredito o quanto estou feliz assim, ainda mais com meu relacionamento, com meus amigos, minha filha... e eu acho que esse sonho quis dizer isso, o meu medo de alguém me tirar o que está me fazendo tão feliz.
Eu não acredito que sonhos sejam premonições, mas acredito que possam ser avisos, e que eu tenha que tomar cuidado. Não que eu tenha que levar o meu sonho literalmente, mas mostra que eu tenho que tomar cuidado comigo mesma, que eu tenho que me achar merecedora do que eu tenho, eu não preciso brigar com ninguém pra forçar essa pessoa a ver que eu mereço ser feliz, eu estou feliz e ponto!
<3
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