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sexta-feira, 10 de abril de 2015

Pequeno desabafo

Se tem uma coisa que me irrita é falta de humildade, e já venho ficando incomodada com umas situações no trabalho.

Eu vou fazer em Maio dois anos de prefeitura, por um ano e nove meses eu trabalhei em CRAS e em dezembro fui transferida para os abrigos, só que fiquei por volta de 15 dias na secretaria me apropriando do serviço, junto com a diretora, e fiquei somente 15 dias em serviço e entrei de férias. Isso revezando dois dias por semana em um e três em outro.

Por esse período já percebi que a assistente social que trabalhava lá, me cobrava algumas coisas que eu não concordava, mas como estava começando, acabava deixando pra lá. Pra minha surpresa, hoje, fiquei sabendo que essa sujeita ligou pra assistente social do meu outro serviço pra perguntar como eu estava trabalhando porque lá eu "não fazia nada".  Ela ligou no meu período de férias, ou seja, ela queria que eu me apropriasse de um serviço que eu nunca tinha feito em 15 dias revezados em outra casa, ou seja, fiquei lá por volta de seis dias, SEIS DIAS em um serviço e ela queria que eu fizesse O QUE?

Brincadeira, né?

Eu já percebi que na cabeça dela, ela é uma super heroína que faz um trabalho super especial, quando na realidade ela não faz nada mais que a obrigação dela. Mas daí a me avaliar em seis dias de trabalho? Faça-me o favor.








terça-feira, 24 de março de 2015

Como é trabalhar como Psicóloga na área social


Deixa eu começar explicando que quando você faz psicologia, assim como todas profissões, você tem áreas a seguir. São muitas mesmo: Clínica, saúde mental, hospitalar, neurociências, organizacional, social, publicidade, esporte... E por aí vai. Bom, logo depois de formada eu trabalhei fora da área e depois passei em concurso público, assim não escolhi a área, somente fui encaminhada para a secretaria de assistência social; Essa sendo dividida em três diretorias, a baixa, média e alta complexidade, fazendo uma comparação direta com a saúde, baixa complexidade seriam as UBSs (Unidade básica de saúde); Média, os AMEs (Ambulatório médico de especialidades) e Alta complexidade os hospitais. Na área social seriam, respectivamente os CRAS, CREAS e Serviços de acolhimento. Na saúde nos tratamos a saúde (dã) e na área social, nós trabalhamos as vulnerabilidades sociais.

O que seriam vulnerabilidades sociais? São riscos sociais, geralmente associadas a pobreza, mas nem sempre. Pessoas em vulnerabilidade social são aquelas que são expostas a exclusão social, pessoas pobres ou próximas a linha da pobreza, vítimas de violência doméstica, pessoas em condições precárias de moradia, sem condições de auto-sustento; abandonadas e/ou expulsas dos espaços de convívio da sociedade.

Nos CRAS (Centro de referência de assistência social) se trabalha a prevenção a vulnerabilidade social; Com as famílias expostas a situação de risco social, mas que ainda não sofreram nenhuma violação de direitos humanos; Geralmente é onde se busca informações para benefícios eventuais, cadastros para bolsa famílias e outros programas do governo para evitar que essas famílias/indivíduos cheguem a se tornar marginalizados pela sociedade.

Nos CREAS (Centro de referência especializado de assistência social) se tratam assuntos específicos nos casos em que já foi sofrida alguma violação de direitos. Crianças/mulheres/idosos vítimas de violência e moradores de rua são os principais públicos.

Nos serviços de acolhimentos são atendidos indivíduos que já tiveram vários direitos violados, não tendo mais nenhum vínculo familiar ou social para onde possam retornar, tendo que ser assim acolhidos por um equipamento do município para que sejam trabalhados para adquirir autonomia para retornar ao convívio social/mercado de trabalho.

Quando entrei na prefeitura, comecei pela baixa complexidade, trabalhei num CRAS. O serviço em si era bem precário, basicamente ficávamos preenchendo cadastros de bolsa família a maior parte do dia. Mas mesmo nessa situação, comecei a entrar em contato com diversas situações que estavam completamente fora da minha visão.Já comecei a rever vários conceitos internos. Comecei a ampliar muito a minha visão das coisas, tanto que algumas preocupações parecem simplesmente insignificantes agora, depois de ver famílias inteiras morando em casas menores que meu quarto.

É tanta, mas tanta gente, que a gente começa a entender as estatísticas. Coisas que no meu mundinho é normal, eles nem pensam em ter, nem sabem que existe, é coisa de novela. Sério mesmo, tem gente que nunca viu "queijo embalado um a um".

O trabalho do psicólogo acaba sendo muito diferente do que vemos na faculdade, que tem um viés clínico, de elite. Na área social nos temos que lidar com o básico, confiança, segurança, auto estima, autonomia. Entender o contexto de pessoas que não tem a mínima noção que fazem parte do mesmo mundo que o meu. Que não sabem que também tem o direito de ter um trabalho digno, de reclamar por serviços melhores, e ter estudo de qualidade e quem sabe fazer uma faculdade e ser um "doutor".

Na área social a gente tem que estar muito mais por dentro de leis e políticas, de estatutos, de direitos. E trabalhar lado a lado com assistentes sociais, de trabalhar assuntos complexos lado a lado com necessidades básicas. Mostrar pra pessoa que ela pode ser mais, contudo, respeitando os limites do outro. Que pode sim querer as mesmas coisas que a gente, mas sem se apropriar delas, e sim conviver como igual. É difícil, é mesmo. Ainda por cima colocar de lado conceitos preconcebidos que ouvimos desde que somos pequenos.

A área social continua não sendo uma das minhas preferidas, ainda vou migrar pra saúde algum dia. Mas que ela me fez crescer como profissional e como pessoa, isso é inegável.

Senti aqui que é um assunto pra continuar... :)

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Crônicas do CRAS - Coincidências

Lá onde eu trabalho é um equipamento público. Parece ser uma casa antiga que foi (mal) utilizada para atendimento. Do lado direito há três salas de atendimento técnico e do lado esquerdo há a recepção e a coordenação, separando elas há um espaço vazio que não é utilizado pra nada e há um espaço na frente que seria um local de espera, com um banco daqueles grandes de madeira.

Aquele banco de madeira foi onde eu conheci pela primeira vez a dona I., é uma senhorinha de pele escura, baixinha e bem magra; ela estava sentada no cantinho do banco falando sozinha. Ninguém a atendeu, ela estava aguardando sua técnica de referência; os demais usuários sentavam ao lado dela e quando percebiam que falava sozinha, se afastavam.

Agora, depois de oito meses de prefeitura, eu já conheço I., converso com ela, vejo melhora constante em sua sanidade mental. Ela é alcoólatra em frequente tratamento, mora num local que ela apelida de 'sítio', mas na verdade é um mato a céu aberto, no qual ela cria animais e tem algumas plantas. Já foi estuprada lá (acreditamos que mais de uma vez) e uma vez estava bem deprimida e chegou dizendo que "até o gato a abandonou". É uma história triste, e ela mesma consegue reconhecer que só bebe porque acha que é só isso que é verdadeiramente dela. Há meses não a vejo falando sozinha no banco.


Hoje foi um dia calmo (o que é bastante incomum), nenhum dos agendamentos compareceu na parte da manhã, e houve pouca demanda espontânea, uma delas foi a Dona I., que chegou bastante suada, pois era um dia bem quente e abafado; seu alcoolismo lhe deu diversos problemas de saúde e ela tem que fazer exames constantes na cidade vizinha; hoje ela necessitava de um vale transporte para um desses exames.

Ela entrou pelos portões abertos e logo a reconheci e a saudei com um "boa tarde!" animado, que me respondeu com a mesma animação, questionei do que ela precisava hoje e ela entregou o papel para retorno e retirada de resultados de exames.

Como de costume perguntei como estavam as coisas e conversamos um pouco, me contou que o médico que fez o exame era bonito mas que ele havia gostado de seu amigo e não dela e demos bastante risada, dei o cartão que tem duas passagens pra ela ir e voltar e ela agradeceu dizendo que colheria flores para mim.

Mais tarde, no mesmo dia, chegou uma moça com uma bebê de colo, foi atendida pela recepção que me questionou o que fazer, pois ela disse que foi expulsa de casa. Depois das devidas apresentações, conversamos.

- Meu amor, quantos anos você tem?
- 17.
- E o que houve?
- Meu marido começou a ficar agressivo e eu fugi de casa, ele ia me agredir, então saí com a bebê.
- E você não tem pra onde ir?
- Não...
- Onde estão seus pais?
- Meu pai eu nunca soube, minha mãe é alcoólatra e vive por aí na rua, nunca sei onde ela está.

Nessa hora, a Talita (Recepção) me diz:

- Ela é filha da Dona I.!

Viro pra ela e pergunto:

- Sua mãe se chama I.?
- Sim.
- Ela esteve aqui hoje.
- Ah. Ela apareceu em algum lugar, é? - Respondeu R. visivelmente ressentida.
- Sim, ela veio buscar auxílio para fazer exames, ela está se tratando do alcoolismo e está bem melhor, lúcida na maior parte do tempo, você deveria vê-la! Ela fala bastante da netinha...

R. não respondeu, e não pareceu muito feliz com a ideia. Segui com o atendimento e consegui, com ajuda da sub diretora, um carro para levá-la ao serviço especializado.

Mas que coincidência, algumas horinhas antes para R. ou algumas horas depois para Dona I. e elas poderiam ter se encontrado. De vez em quando temos algumas histórias bastante interessantes, fora da correria.

Amanhã terei minha primeira experiência com uma desapropriação... Acho que vou estudar!

sábado, 21 de dezembro de 2013

Aquelas coisas de problema social

Problema social, assistência social...

Esses dias postei no face: "Trabalhar no CRAS não faz bem, a gente começa a pensar naquelas coisas de problema social, quebrar uns preconceitos internos, e o foda é que a ignorância é uma dádiva, porque depois que vc começa a ver as coisas de outro jeito, não volta a ver mais da forma mais fácil né? Agora tenho preconceito com comentários dos pobres 'ricos' da classe média, dá pra ser imparcial um dia?" 

E resolvi dar continuidade já que estou de "férias".

Meu nome é Lorraine, eu tenho 25 anos, sou formada, sei falar inglês, e estou fazendo pós graduação, trabalho; a maioria das pessoas que eu ando/andava também seguem esse padrão (fora a parte do trabalho, que acho que vou deixar pra outro post), e, engraçado, sempre achamos que é tudo normal, ué, todo mundo (que eu conheço) fez faculdade, todo mundo (que eu conheço) sabe inglês, todo mundo... Todo mundo? Tem aquela parte em parênteses, aquele "que eu conheço", do meu círculo social, ou seja, basicamente, com padrão sócio econômico bastante similar. Aí a gente tem aqueles preconceitos de sempre, "ele é drogado porque quer", "ele é mendigo porque quer", "melhor ele pedir dinheiro do que roubar...", "ele rouba porque é mal". Falta segurança pública, falta punição séria, maioridade penal... Será?

Suspende a visão, suspende o conceito, um sujeito não é sozinho no mundo, é um sujeito inserido numa sociedade, sociedade a nossa absurdamente cruel, egoísta e, acima de tudo capitalista. Não eu não sou uma "socialista chata", e nem sou socialista (nem capitalista, negócio chato ficar rotulando todo mundo), mas a realidade é que precisamos de dinheiro pra viver, alias, precisamos de dinheiro pra viver? Ué, por quê? Na verdade precisamos de ar pra respirar, água potável pra beber, comida (saudável de preferência) pra comer, assim a gente sobrevive, agora pra dar sentido precisamos de trabalho, cultura, educação e vida social. Na essência, nada disso precisa ser comprado, então por que precisamos de dinheiro pra viver? Oras, porque vivemos num mundo capitalista.

E quem tem dinheiro? Basicamente tem dinheiro quem trabalha (quem conseguir trabalhar), aí você tem o mínimo do mínimo, né, se você "der sorte" (pode chamar de trabalhar duro) tem um pouco mais de dinheiro e vive de maneira regular (e reclama pra cacete) e se for sortudo de bercinho de ouro fica ~acima~ disso tudo. Mas todo mundo vive junto e misturado, e todo mundo almeja as mesmas coisas... Porque além de capitalista, estamos conectados, televisão e internet agora são partes constantes da vida de todo mundo. Então aquela mesma roupa que quem tem renda mensal de 10 mil quer, aquele que tem renda de 200 reais mensais também quer! E não me venha com aquele papo nojento de que se ele não tem dinheiro ele não tem escolha, isso é nojento, nojento mesmo, todo mundo tem o mesmo direito de escolha. Só que tiraram esse direito dele, porque todo mundo tem que ter prioridades, e querendo ou não, pra gente querer alguma coisa tem que estar vivo né, e pra estar vivo, temos que ter aquele básico que falei ali em cima, e aquele básico que tem ali em cima também custa dinheiro!! Então do mesmo jeito que a gente deixa de comprar uma coisinha pra comprar aquele celular, quem tem baixa renda também deixa, só que eles tem menos coisas pra deixar de comprar, então acaba deixando de comprar uma coisa importante.

E quem somos nós pra julgar? Por que eu sou melhor e posso querer alguma coisa e o outro não?
É realmente justo um auxiliar de limpeza ganhar 800 reais por mês e um político 20 mil?
É realmente justo termos que pagar por coisas que são básicas a sobrevivência humana?

Problema social, assistência social... Coisas que só existem porque deram valor a um pedacinho de papel, e forçaram todo mundo a ir atrás disso só por isso, um ciclo vicioso que se alimenta dele mesmo, dinheiro pelo dinheiro, poder pelo poder, não existe significado, moral, empatia.

 Obs.: Escrevi muito e tenho preguiça de reler, se tiver com erros, vai ficar com erros...

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Revisão cadastral até 13/12

A gente vê as palestras, capacitações, orientações, supervisões, sabe que tem que ver a situação de forma diferente, sabe que tem que se "suspender" pra olhar de um ângulo maior, que tem um contexto, um social, interações que levaram as pessoas ali, motivações, política, desigualdades, capitalismo e ignorância. Mas é muito difícil, muito difícil mesmo fazer atendimento técnico e acolhimento com mais de 50 pessoas em poucas horas que estão furiosas porque é "nossa culpa" que vão ter o maldito Bolsa Família bloqueado e/ou cancelado.



Como minha culpa? Como alguém recebe um benefício por três, quatro anos, dependem dele e nunca foram verificar se está tudo certo, se não estão faltando dados ou apenas pra se informar sobre qualquer coisa?



"Não tive tempo" "Estava doente". Poxa, eu entendo mesmo que às vezes não temos tempo, mas sabe, quatro anos... É complicado, complicado mesmo.

Ainda bem que eu sei que nenhuma observação é totalmente imparcial, até que eu tento, mas realmente é foda...

Mais informações sobre o que estou falando aqui.

Obs.: Tirei as lindas imagens da busca do google.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Cabelo azul e nomenclaturas engraçadas

Lembra aquela piada ~engraçada~ dizendo que o governo ia "substituir" o RG pelo "Cadastro Único" e que todo mundo ia ter que ter um "CU" e blá blá blá. Bom, o cadastro único realmente existe, e ele se chama Cadastro único para programas sociais, e é do governo federal, mas não substituiu o RG, não é obrigatório por todo mundo e muito menos é chamado de CU, na verdade a gente chama de Cad ou de CadÚnico.

Bom, lá no meu trabalho eu preencho bastante Cad, e eles são bem longos, tem um perfil socio-economico, endereço, nome e documentação de todo mundo da família, é um trabalhinho demorado, dependendo de quantas pessoas tem na casa, pode demorar mais de uma hora, nesse atendimento, eu costumo ir conversando com a responsável familiar enquanto vou preenchendo o caderno (que reclamações a parte, deveria ser digital, né?), numa dessas eu ouço: "Mas você pode ter cabelo colorido e um monte de brinco assim? Quer dizer sendo psicóloga né.." hahahah Logo mais ela "conserta", "Quero dizer, eu sei que não influencia no atendimento nem nada, mas deve ter preconceito né?". Como sempre, minha resposta foi que não me deu nenhum problema em nenhum emprego e que nunca havia sofrido nenhum tipo de preconceito. No mesmo atendimento, algum tempinho depois, a mesma pessoa me diz "deve ser difícil fazer faculdade pra trabalhar numa prefeitura que não dá muito valor né?" Olha só! Engraçado como a mesma pessoa pode fazer dois comentários tão diferentes!

Às vezes os usuários me surpreendem :)



Por sinal, nós chamados as pessoas atendidas no CRAS de USUÁRIOS, o que sempre me dá um nó na cabeça, pois eu já logo penso em usuário de drogas, né? O mais interessante é que os usuários de drogas também são chamados de usuários e eu sempre sou obrigada a perguntar "usuário do CRAS ou de droga?" e de mentalmente pensar que são a mesma coisa hahah

quarta-feira, 31 de julho de 2013

O mundo paralelo das famílias em vulnerabilidade social

Sabe, eu sempre morei com meus pais numa "família estruturada", terminei o ensino médio, fiz faculdade, faço pós graduação, entreguei currículos, trabalhei de carteira assinada, fiz concurso público, sou funcionária pública. Bastante normal, né? SÓ QUE NÃO.

Eu sempre achei que fosse normal, que tudo o que eu fiz todo mundo fazia, ou pelo menos a maioria das pessoas, é nesse mundinho que a gente vive né? Nesse que a gente vê na televisão essas famílias que chamam de carentes, que falam que temos que ter dó, que doar roupas, comida e fazer programas com gente famosa pra arrecadar dinheiro.

Aí você vai trabalhar na assistência social e não sabe bem o que é isso, as explicações são que você vai fazer PAIF, trabalhar com as famílias que estão no programa bolsa família, coordenar projetos estaduais. No começo te ensinam a preencher cadastros e mais cadastros, e ler regras e mais regras, condicionalidades, renda per capita e como classificar as famílias em pobreza e extrema pobreza.

Depois que você acostuma com todas as nomenclaturas difíceis que mudam de ano em ano, e que seu cerebelo já aprendeu a preencher tudo no automático, você começa a ouvir as pessoas por trás da renda per capita. Nessa hora você aprende as diferentes realidades das famílias em vulnerabilidade social, que você sai da sua casa quentinha e confortável e em 40 minutos você tá num lugar onde as casas inteiras cabem no seu quarto e pessoas que sonham em ficar ricas sem fazer nada. Que também veem na televisão uma realidade que não entendem muito bem. Daquelas pessoas ricas das novelas que simplesmente não fazem nada o dia inteiro e o dinheiro tá lá pra comprarem tudo e qualquer coisa. Aqueles jogadores de futebol que saíram "da comunidade" porque dão um chute bonitinho.

Ninguém mostra na televisão as realidades na realidade, sabe?

Gente que tá lá na estatística de pobreza não precisa de caridade não, precisa de acesso a educação, saúde e emprego; precisa aprender que não é jogando futebol que vai ficar rico e melhorar de vida, que pra melhorar de vida tem que estudar e trabalhar... e dar duro! Porque a gente que tá do lado de cá, dá duro sim, não é porque tem celular de ponta que ele caiu do céu, eu também parcelei em 12 vezes que nem eles fazem nas Casas Bahia.

Deixando de lado as exceções que conseguiram ganhar na mega sena ou que já nasceram herdeiros da fortuna dos Hilton, nós pobres mortais temos que TRABALHAR, batalhar e dar duro pra conseguir o que queremos.

Não me leve a mal, eu acho sim que a distribuição de renda é absurdamente errada, que realmente tem gente que tem força de vontade mas não tem oportunidade de crescer, ou de conseguir um ~super~ emprego que ganhe mais de 3 dígitos do lado esquerdo da vírgula; Mas que a gente tem muito que caminhar pra ensinar pra algumas pessoas que elas podem sim ser produtivas e que não deveriam se contentar em viver só da gorjeta que o governo dá pra elas todo mês, mas que mereciam ser economicamente independentes e viver de forma digna!


terça-feira, 18 de junho de 2013

Minha experiência!

Ainda que breve, estou há pouco mais de um mês em um equipamento do governo, trabalho no CRAS, significa Centro de Referência de Assistência Social.

Sou psicóloga, sabe tudo aquilo de psicologia social que você tem na faculdade? Na prática não é bem isso, na verdade, a gente preenche um montão de CadÚnico e tem pouquíssimos acompanhamentos, que seriam os PAIFs.

Tem muito muito muito potencial, muita gente boa mesmo e qualificada (não quero entrar muito do outro lado, porque também tem gente com pouco conhecimento e muito achismo). O problema é que a cidade é toda errada, toda torta. Quando eles dizem "que chique, você é de Santos", eu dou risada. Mas realmente, São Vicente é pra lá de uma cidade bagunçada: onde tem lombada não tem sinalização, onde tem sinalização não tem a lombada.

Mas tem por onde, hoje estive numa conferência na câmara, onde a circular passada a todos os presentes, além de estar com erros nas datas (que provavelmente a culpa vai pro coitado/a do jovem aprendiz que digitou o texto, contudo, é claro, estava assinada pela diretora e secretária), estavam com diversos erros de ortografia: os acentos eram crases, às vezes o hífen estava lá, às vezes não, e quando estava, havia espaços em excesso, além de siglas em minúsculo, "Suas"... Minhas o quê?

Aí eu, como sempre, chata, aponto alguns erros, e também com "TOC" os corrijo com a minha caneta, logo ouço "Lorraine, como você é detalhista!". Mas ué, se está errado tem que arrumar, não é? Ou deixa assim mesmo? Não tem problema...

Mas será que não? Logo penso, deve ser por isso que a cidade está do jeito que está, se está errado não tem problema, deixa assim. Isso foi com um texto, mas poderia ter sido com outra coisa, oras se não? "Essa placa está errada, a lombada é mais pra frente"; "deixa assim, está quase no lugar certo".

Engraçado, pra não dizer triste, se a pessoa que é formada, educada, concursada, não se preocupa com tais "errinhos", quem vai se preocupar? E o pior, quem vai consertar?